Virado à paulista vira patrimônio imaterial de SP

Condephaat reconheceu prato como parte da formação do estado

Publicado em 07/02/2018
Virado à paulista

O almoço de segunda-feira em São Paulo tem nome: virado à paulista. E, agora os fãs do prato que mistura bisteca, ovos, couve, linguiça, torresmo, arroz, tutu de feijão e banana à milanesa têm mais um motivo para continuar pedindo a delícia no início da semana: o virado à paulista virou patrimônio imaterial do estado de São Paulo.

O reconhecimento foi divulgado nesta terça-feira (6) pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Governo do Estado de São Paulo (Condephaat). Segundo comunicado emitido pelo órgão, o tombamento ocorreu para "preservar esta tradição e fortalecer sua importância para a história do estado."

O virado à paulista fez parte da formação de São Paulo por ser o prato que alimentava os bandeirantes. Como eles viajavam muito, o alimento revirava no caminho, misturando os ingredientes e, daí, veio o nome do prato como conhecemos hoje.

Mas suas primeiras composições, ainda por volta de 1600 - quando constam seus primeiros registros -, no Brasil colonial, traziam somente feijão engrossado, por farinha de milho ou de mandioca, e toucinho de porco. Nutritivo, fácil de transportar e sem problemas de ser consumido apenas no dia seguinte, o virado à paulista se tornou o prato ideal para alimentar monções e bandeiras.

Com o tempo, a iguaria foi ganhando novos ingredientes, tradicionais de outras culturas, como indígena, africana, portuguesa e italiana. Hoje, é possível encontrá-la em ainda mais variedades, assinadas até mesmo pelos chefs brasileiros mais consagrados.

"As justificativas do Condephaat para o reconhecimento do Virado giram em torno de sua importância nas viagens de expansão do território brasileiro. O prato agrega séculos de encontros culturais, de tradições, de conhecimento e de prazer sensorial, que formaram a diversidade de São Paulo. Deste modo, ele pode ser considerado uma expressão da identidade cultural e da formação histórica e demográfica do estado de São Paulo e de territórios vizinhos", informou o conselho.

Foto: Reprodução/Pinterest